por Gustavo Tetzl Rocha
Há mais de 25 anos atuando na área ambiental, na interface entre engenharia, estudos ambientais, licenciamento socioambiental e relacionamento com comunidades, uma reflexão sempre se impõe:
o que a Arquitetura já conquistou que a Engenharia Ambiental ainda busca conquistar?
Hoje, a Arquitetura ocupa um papel central nos projetos. É percebida como origem, como estratégia e como valor. Está associada à qualidade de vida, à estética, à funcionalidade e à valorização dos ativos. Mais do que uma disciplina técnica, tornou-se uma linguagem capaz de comunicar, influenciar e transformar. Arquitetos definem conceitos, orientam decisões, estruturam espaços. A Arquitetura tem assinatura, identidade e posicionamento. Ela não apenas participa do projeto, ela o conduz.
Enquanto isso, a Engenharia Ambiental ainda enfrenta o desafio de romper com uma percepção limitada. Frequentemente associada a exigências legais, custos ou entraves, ainda é inserida tardiamente, muitas vezes para resolver problemas e não para estruturar soluções. Mas essa realidade está mudando. A Engenharia Ambiental tem potencial para atuar desde a concepção, agregando valor real aos empreendimentos: reduzindo custos de implantação e operação, prevenindo riscos, acelerando processos de licenciamento e qualificando o desempenho ambiental e social dos projetos.
Para isso, é fundamental evoluir na forma de comunicar, traduzir benefícios de forma tangível e ocupar, com consistência técnica, um espaço mais estratégico nas decisões de projeto. Mais do que atender requisitos, trata-se de contribuir para projetos melhores desde a origem.
É com essa inquietação e com a convicção de que é possível fazer diferente que seguimos integrando Arquitetura e Engenharia Ambiental, buscando protagonismo técnico, inovação e impacto positivo.
Integração na prática
Centro Administrativo de Belo Horizonte
Em 2014, a MEIUS Arquitetura e Design e a MEIUS Engenharia integraram a equipe do Estúdio Arquitetura com Eduardo França e Letícia Azevedo (além de Pedro Haruf, Bernardo Horta e Pedro Lodi) conquistando o 3º lugar no Concurso Nacional do Centro Administrativo de Belo Horizonte.
Nesse projeto, a Engenharia Ambiental atuou desde a concepção, estruturando soluções integradas nos eixos Água, Energia e Resíduos Sólidos:
- Água: uso eficiente, captação de chuva, reuso, detecção de vazamentos, medição individualizada, dispositivos economizadores, pisos permeáveis e telhados verdes.
- Energia: arquitetura bioclimática, geração por fontes renováveis (solar), eficiência energética e equipamentos de alto desempenho.
- Resíduos Sólidos: redução na geração, reutilização, coleta seletiva e destinação adequada, incluindo reaproveitamento de orgânicos.
Um dos fatores decisivos, que fora citado nas atas vencedoras, foi o fato de termos agregado em equipe desde a concepção uma regra importante da construção da proposta, a sustentabilidade para a ocupação da torre e dos espaços adjacentes. Contribuindo assim para um projeto mais completo, demonstrando a força da engenharia junto a arquitetura, urbanismo e toda estrutura local. Além disso, a Engenharia Ambiental contribuiu com temas estruturantes como centralidade urbana, conexão territorial, arborização e patrimônio — evidenciando seu papel estratégico no projeto.

Gustavo Rocha é Formado em Engenharia Metalúrgica (2000) pela Universidade Federal de Minas Gerais, possui Mestrado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos (2003) e pós graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho (2005), também pela UFMG.
Trabalha há 25 anos na elaboração de avaliações, estudos e projetos de engenharia, com enfoque nas áreas de meio ambiente e risco ambiental, para empreendimentos industriais, de mineração e de infraestrutura. Participou, ao longo da sua atuação profissional, de mais de 300 estudos e projetos socioambientais. Mais recentemente, tem atuado no desenvolvimento de atividades técnicas e gerenciais promovendo a interface entre as operações e projetos técnicos de engenharia com os estudos ambientais, de relacionamento institucional e com comunidades. Atuou em importantes obras da região como no desenvolvimento da expansão do Aeroporto de Confins, no projeto da Arena MRV dentre outros.