Entre a Academia e o Mercado: As relações que construímos

por Pedro Rodrigues

Era 2016 quando entrei pelas portas da faculdade de Arquitetura e Urbanismo e assisti a minha primeira aula. Queria aprender sobre tudo, embora a vida profissional ainda parecesse um objetivo distante. O tempo foi passando e, após algumas experiências como monitor e pesquisador nos meus primeiros anos, o interesse em conhecer de perto a realidade fora do universo acadêmico cresceu. Em 2019 tive a oportunidade de ingressar na Meius, por volta do meu sétimo período. O momento otimista, porém, foi surpreendido pela pandemia de coronavírus que se iniciou poucos meses depois. A trajetória final do meu curso precisou ser adaptada. O novo trabalho, ao qual ainda estava me acostumado, também. Mas os desafios foram superados e a graduação, que se estendeu até 2022, foi finalmente concluída. Com ela veio o fim da pandemia e os tempos de otimismo voltaram.

Agora o ano é 2025 e sigo na Meius há 6 anos. Isso é quase metade do tempo que o escritório existe e por pelo menos metade disso sou arquiteto formado. Já faz uma década desde aquela primeira aula e muita coisa aconteceu de lá para cá. De estudante à estagiário e, então, arquiteto. Algo como princípio, meio e fim, analisando de forma objetiva. Todavia, passados esses 10 anos, tendo a enxergar por outras perspectivas. É difícil dizer quando uma coisa começa e a outra acaba, pois ser “arquiteto” me parece mais um processo do que algo absoluto e definitivo. Sou mais experiente do que já fui um dia, sem dúvidas, mas basta surgir uma demanda com a qual nunca me deparei antes que aquela sensação primitiva de “querer aprender” retorna e me faz lembrar dos anseios ingênuos do estudante que um dia acreditou que sairia da faculdade preparado para tudo. Hoje, sei que não funcionaria assim. A faculdade me apresentaria os caminhos possíveis, mas a vida profissional é que me colocaria em percurso.

As opções são muitas e cada indivíduo, no seu tempo, descobre com quais possui mais afinidade. Alguns seguem caminhos distintos, explorando lugares distantes entre si. Vejo uma beleza nisso. Já outros seguem por caminhos próximos e que muitas vezes se cruzam. Dependendo do encontro, até se convergem. Foi assim no meu caso com a Meius. Inicialmente atraído pela linguagem estética do trabalho que produziam e que admirava de longe, foi no convívio diário que me identifiquei, de fato. Conheci seus valores e me senti acolhido. Fui incentivado a participar, apesar da pouca experiência. Minhas ideias foram ouvidas, meus esforços valorizados. Com o tempo entramos em sinergia e o que poderia ter sido apenas uma experiência passageira se tornou uma relação duradoura. Vi muitas pessoas passaram por sua história nesses anos. Ora aprenderam, ora ensinaram. Deixaram suas marcas e saíram também mudadas, de alguma forma.

Eu continuo nesse processo. Aprendo diariamente, na prática, que construir boas relações é tão importante quanto entender teorias. Nessa profissão, dificilmente se trabalha sozinho, e até mesmo aqueles que começam ou seguem de forma autônoma em algum momento sentirão a necessidade de trocar conhecimento para preencher o vazio do que não se sabe. Na faculdade não estava maduro o suficiente para entender isso, apesar do constante estímulo à produção de trabalhos em grupo – o que, dependendo da equipe, costumava gerar mais atrito do que consonância, lembro bem. O espaço acadêmico fica muitas vezes limitado aos alunos e ao professor de uma disciplina. A dinâmica do cotidiano, porém, é mais complexa, e as relações são difíceis de serem reproduzidas.

Ao formar, esse talvez seja o maior desafio. Todos temos expectativas e sonhos, e ter encontrado um lugar para compartilhá-los desde cedo me ajudou a contorná-lo. A Meius preza por suas relações e entende que boas condutas profissionais a impulsionam para frente. Acompanhar sua evolução me permite evoluir junto. A cada nova fase vivida, nos aproximamos do que um dia almejamos, e quanto mais próximo chegamos disso, mais os horizontes se abrem. Seguirei aprendendo.