A Mudança, da Teoria à Prática: A Origem da MEIUS Arquitetura e Design

O universo acadêmico, onde a teoria é cultivada e lapidada, muitas vezes se distingue do mercado, que anseia pela prática e por discussões concretas. Nessa transição do estudo para a ação, profissões se entrelaçam e opiniões se chocam. (Essa intrigante dualidade entre universidade e mercado pode, inclusive, inspirar nosso próximo artigo!) Na época áurea de nossos estudos, a vontade de materializar ideias em projetos era imensa. Era um período em que os sonhos, às vezes ingênuos, e as visões – ora simplificadas, ora excessivamente complexas – afloravam e, por vezes, nos impulsionavam com uma coragem que não via a luz no fim do túnel. Não foi diferente para nós, Giulianno Camatta e Guilherme José, sócios da MEIUS Arquitetura e Design. Tínhamos um sonho ardente: projetar e transformar as formas de habitar, de compreender o cotidiano. Neste artigo, você terá a chance de nos conhecer mais a fundo. Fomos entrevistados por uma inteligência artificial, que gerou perguntas exploratórias e respostas curiosas sobre nosso surgimento e a fundação da MEIUS.

Q&A

Como surgiu a ideia da empresa?

Giu – Bom, acredito que ambos tínhamos uma vontade de empreender de alguma forma, ou talvez trabalhar objetivamente com o que acreditávamos. Desde antes de me formar sempre tive curiosidade em seguir com algo que fosse desenvolvido e construído com minhas próprias mãos, algo original, o que me deu uma força para seguir. Neste momento, um pouco de ingenuidade ajuda. A ingenuidade em o que iremos enfrentar pela frente eleva a coragem e deixa os sonhos serem maiores. Um cruzamento das ideias, em encontros esporádicos, levou as aspirações para um único caminho, o de abrir um novo estúdio de arquitetura e design.

Quais eram suas expectativas e objetivos iniciais?

Giu – Nossas expectativas iniciais vinham desta vontade de mudar a forma com que o mundo via a arquitetura, de como as pessoas entendiam os espaços onde habitavam, como o design influencia nosso cotidiano e como tudo isso poderia melhorar a sociedade em si. Isso tudo vem carregado da busca por reconhecimento também, o que é um reflexo da maneira com que as pessoas vivem. Até nos descobrirmos, até perdemos parte de nossa ingenuidade, essa ideia tem tração. Uma das vontades que ainda temos, e vamos seguir em busca, sem dúvidas, é de trabalhar com grandes equipes, com pessoas diversas e conhecimentos múltiplos, para empreendimentos agregadores para cidade e para as pessoas.

Como vocês se uniram para formar a sociedade?

Rocha – Fazíamos parte da mesma turma de amigos, porém nunca havíamos trabalhado juntos na arquitetura. Por coincidência, participamos de uma oficina na Casa do Baile, que durou uma semana. Durante a atividade, fomos divididos em dupla e, ao longo do processo, percebemos uma forte sinergia — tanto na forma de trabalhar quanto nos anseios e vontades naquele momento em que a graduação já se aproximava do fim para ambos. Ao final da oficina, com os trabalhos entregues, decidimos nos lançar juntos na criação do nosso escritório. Tivemos ainda a oportunidade de começar com um CNPJ que já existia e de compartilhar um espaço de trabalho já montado por um arquiteto parceiro, custeando o mesmo, o que nos ajudou a estruturar melhor esse início.

Quais foram os maiores desafios enfrentados na fase inicial?

Rocha – Os maiores desafios no início estavam ligados à gestão do próprio negócio. Ao sair da faculdade, percebemos o quanto éramos pouco preparados para lidar com questões administrativas, contábeis e de gestão — áreas que não fazem parte da formação tradicional em arquitetura, mas que são fundamentais para quem decide abrir seu próprio escritório. Foi um processo de aprendizado intenso, muitas vezes na base da tentativa e erro, e que continua até hoje, mesmo após 12 ou 13 anos de atuação.

Giu – Além disso, havia a insegurança natural de quem está começando: a incerteza sobre o futuro e a dificuldade em conquistar clientes sem ainda ter um portfólio robusto. Nesse momento, contamos muito com o apoio de amigos e familiares, aceitando todo tipo de trabalho que aparecesse. Acreditávamos que, ao entregar um bom serviço, estaríamos abrindo portas para novas oportunidades — e foi exatamente isso que aconteceu. O começo foi desafiador e angustiante, mas também foi uma escola. E, com o tempo, esse caminho construído com esforço e convicção se tornou profundamente gratificante, as angústias agora se tornaram outras.

Como vocês lidaram com a falta de recursos/experiência?

Rocha – Estávamos dispostos a investir recursos próprios, caso fosse necessário, mas, felizmente, não foi preciso. Aproveitamos oportunidades valiosas logo no início, como utilizar um CNPJ já existente e a estrutura física de um escritório compartilhado com um arquiteto parceiro. Começamos com coragem, e tivemos a sorte de conquistar dois projetos logo no primeiro mês, o que nos permitiu custear as despesas iniciais e formar um pequeno caixa para a empresa.

Giu – No segundo mês, surgiram novos serviços, e assim fomos avançando — ainda com pouca experiência, mas com uma organização básica e muita disposição para aprender. Tudo era novo, mas aos poucos fomos aprimorando nosso trabalho, e os resultados começaram a aparecer. Foi um começo intuitivo, construído passo a passo, com foco na entrega e na evolução constante. Claro que trazíamos bagagens importantes dos nossos estágios praticados anteriormente, nos espelhávamos na proximidade que tivemos nestas experiências, todas elas com um significado importante em nosso desenvolvimento, seja na técnica, seja na parte de organização e gestão, seja ela na construção.

Houve algum momento em que pensaram em desistir?

Rocha – Não chegamos a pensar em desistir, mas houve momentos de questionamento — especialmente ao compararmos nossa realidade com a de amigos de outras áreas que, logo no início de carreira, já tinham posições mais reconhecidas e tinham uma melhor remuneração trabalhando em outras empresas. Ainda assim, a vontade de fazer dar certo e a crença de que, com o tempo, as coisas iriam melhorar sempre falaram mais alto.

Giu – A arquitetura é uma área com muitos escritórios e bastante concorrência, mas poucos estão realmente dispostos a trilhar esse caminho longo e cheio de incertezas. Muitos desistem no meio do percurso. É preciso gostar muito do que se faz, estar aberto ao aprendizado constante e saber lidar com as instabilidades da profissão. Essa resiliência foi, e continuará sendo, fundamental para seguirmos em frente.

Quais foram as principais estratégias adotadas para lançar o escritório?

Giu – Um dos principais pontos que vejo ao lançar uma empresa é se você segue solo, ou com parceiros. Estes passos iniciais são importantes e sem dúvidas nenhuma tem um impacto na estratégia de abertura. Como estávamos em dupla, precisávamos de um espaço comum para nossos encontros (lembrando que isto foi bem antes da comunicação virtual estar tão emplacada em nossas vidas), portanto seguir com um local onde poderíamos receber clientes, nos formar em grupos para projetos, nos reunir diariamente para nos desenvolver, foi uma decisão essencial, nos ajudou como grupos e equipe. Esse local veio de um convite inesperado de um colega para ocupar uma sala junto a ele, isto que caiu como uma luva para nosso momento. Nossa outra estratégia foi nos concentrar em deixar sempre nossa gestão espacial e de arquivos organizada, desde antes de crescer, tomando isso como cultura de fundação. Isso nos ajuda de forma incrível até hoje, através de facilidades internas, reconhecimento de parceiros e clientes. Uma outra estratégia, que presumo fazer parte do marketing, foi a de criar nossa logo, nosso nome e nossos cartões, além de papéis timbrados. Naquela época usamos materiais baratos e que podíamos arcar, como papéis kraft.

Como definiram o público-alvo e o modelo de negócios?

Giu – Nosso público alvo na época eram nossos familiares, nossos amigos, parceiros arquitetos e conhecidos, não tinha muito para onde correr. Fazendo um bom trabalho, oferecendo boas ideias, conseguimos nos posicionar. Os familiares contrataram pequenos projetos, os amigos e parceiros nos chamavam para coautoria em concursos e outros projetos. Esta foi nossa fundação! Nosso modelo de negócios foi baseado em um boca a boca bem orgânico, o marketing por termos uma entrega de material, em conhecimento de processos da arquitetura e junto aos clientes, parcerias e diferencial de software de trabalho. Basicamente isso.

Quais foram as decisões mais importantes tomadas nessa fase?

Rocha – Uma das decisões mais importantes nessa fase inicial foi começar de forma enxuta, aproveitando recursos e estruturas já disponíveis — como o uso de um CNPJ existente e a parceria com um arquiteto que já possuía um escritório montado. Isso nos permitiu iniciar sem grandes investimentos e focar no essencial: conquistar e entregar bem os primeiros projetos. Outra decisão fundamental foi abraçar todas as oportunidades que surgiam, independentemente do tamanho ou tipo de serviço. Essa abertura nos permitiu aprender muito, construir um portfólio e criar uma rede de indicações logo nos primeiros meses. Também foi crucial manter uma rotina de trabalho organizada, mesmo sem muita experiência. Desde o início buscamos profissionalizar processos, ainda que de forma simples, e entender que gerir um escritório vai muito além do projeto — envolve administrar, planejar, negociar e crescer de forma sustentável.

O que vocês aprenderam com a experiência da fase inicial?

Rocha – A fase inicial foi uma grande escola. Aprendemos, principalmente, a importância de sermos resilientes e abertos ao aprendizado constante. Tivemos que lidar com muitas questões para as quais não estávamos preparados na faculdade — como administração, finanças, atendimento ao cliente e tomada de decisões estratégicas. Também entendemos que cada projeto, por menor que fosse, era uma oportunidade de crescimento e de construção de reputação. Aprendemos a valorizar as parcerias, a importância do boca a boca e como um bom trabalho pode abrir portas para os próximos. Isso tudo, se bem feito e com a intenção bem direcionada, acaba se tornando orgânico. Além disso, essa fase nos ensinou a confiar no processo — que é lento, cheio de desafios, mas recompensador. Hoje vemos que o que parecia improviso no começo foi, na verdade, um aprendizado prático fundamental para construir a base do que o escritório é hoje.

Que conselhos dariam para outros empreendedores que estão começando?

Rocha – Meu principal conselho é: tenha paciência, persistência e acredite no seu desejo/propósito. Empreender é um caminho cheio de desafios e incertezas, e os resultados nem sempre aparecem rápido. É fundamental acreditar no seu trabalho e estar disposto a aprender constantemente — especialmente sobre áreas que a faculdade não ensina, como gestão financeira, administração e relacionamento com clientes. Além disso, aproveite todas as oportunidades que surgirem, mesmo aquelas que pareçam pequenas ou fora do seu foco inicial. Elas podem ser portas de entrada para projetos maiores e para o crescimento do seu negócio. Por fim, cerque-se de pessoas que acreditem no seu potencial, seja para parcerias, suporte ou incentivo.

Como a fase inicial moldou a cultura e os valores da empresa?

Giu – Como dito no início, a organização da gestão na fundação da empresa nos marcou com uma característica que vemos como importante e essencial até os dias de hoje. Somos reconhecidos por isso. Enxergar a arquitetura e o design como um processo, nos coloca em uma posição facilitadora para atuação no mercado em geral. Não queremos com isso perder as características que nos deixam livres para criação e proposição, mas sim queremos entendermos nosso dia a dia, como funciona desde a parte de processos de projeto à parte de gestão financeira. Isso tem um reflexo enorme para quem nos contrata e em quem nos remunera para desenvolvimento dos projetos, pois nosso alinhamento em equipe também fica melhor. O ecossistema fica mais fluido. A ideia de ser um estúdio, ou tentar trabalhar de forma a não entender a organização, a gestão e os processos, como algo importante, tira da empresa seu potencial de impacto. A arquitetura tende a ter uma cultura mesclada, onde temos por um lado estúdios voltados para produção artística e do outro grandes organizações. Este equilíbrio vejo como essencial.